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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Enquanto isso, em Pinheiros e em Higienópolis...

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. . . cus se fecham vigorosamente ! ! !









Mais sobre o lançamento de A privataria tucana, de Amaury Ribeiro Jr., aqui e aqui.








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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Três imagens

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Túmulo de Carlos Marighella
(05/12/1911-04/11/1969)
por Oscar Niemeyer
(Leia e ouça a entrevista de Marighella no Com Texto Livre)


Dilma: "A cara da dignidade"
(Leia artigo de Emir Sader na Carta Maior)


Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira
(13/02/1954-04/12/2011)
(A despedida de Mino Carta e as últimas colunas do Doutor

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Será que eles comem criançinhas...?

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Cuidado com os Muppets. Eles são comunistas

Por Marcos Guterman

Eric Bolling é âncora do programa “Follow the Money”, na Fox. Há alguns dias, ele “debateu” com outros luminares do pensamento conservador americano a tese segundo a qual os Muppets são esquerdistas – tudo porque, em seu último filme, o vilão é um magnata do petróleo, chamado “Tex Richman”.

Para o pessoal da Fox, o filme é parte de uma campanha contra o capitalismo, promovida pelos “vermelhos” de Hollywood. “É incrível o quão longe a esquerda consegue ir para manipular nossas crianças”, esbravejou Dan Gainor, que faz parte do Media Research Center, grupo que se dedica a esculhambar a “imprensa liberal” nos EUA. “Hollywood, a esquerda, a imprensa, todos eles odeiam a indústria do petróleo. Eles odeiam a América empresarial.”

Para Gainor, não é à toa que existem movimentos como o “Ocupe Wall Street”, cujos manifestantes, segundo ele, “foram literalmente doutrinados, durante anos, por esse tipo de coisa”.




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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Campanha do Laço Branco - homens pelo fim da violência contra a mulher

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No dia 6 de dezembro de 1989, um rapaz de 25 anos (Marc Lepine) invadiu uma sala de aula da Escola Politécnica, na cidade de Monteral, Canadá. Ele ordenou que os homens (aproximadamente 48) se retirassem da sala, permanecendo somente as mulheres. Gritando: “você são todas feministas!?”, esse homem começou a atirar enfurecidamente e assassinou 14 mulheres, à queima roupa. Em seguida, suicidou-se. O rapaz deixou uma carta na qual afirmava que havia feito aquilo porque não suportava a idéia de ver mulheres estudando engenharia, um curso tradicionalmente dirigido ao público masculino.

O crime mobilizou a opinião pública de todo o país, gerando amplo debate sobre as desigualdades entre homens e mulheres e a violência gerada por esse desequilíbrio social. Assim, um grupo de homens do Canadá decidiu se organizar para dizer que existem homens que cometem a violência contra a mulher, mas existem também aqueles que repudiam essa atitude. Eles elegeram o laço branco como símbolo e adotaram como lema: jamais cometer um ato violento contra as mulheres e não fechar os olhos frente a essa violência.

Lançaram, assim, a primeira Campanha do Laço Branco (White Ribbon Campaign): homens pelo fim da violência contra a mulher. Durante o primeiro ano da Campanha, foram distribuídos cerca de 100.000 laços entre os homens canadenses, principalmente entre os dias 25 de novembro e 6 de dezembro, semana que concentra um conjunto de ações e manifestações públicas em favor dos direitos das mulheres e pelo fim da violência. O dia 25 de novembro foi proclamado pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM), órgão das Nações Unidas, como Dia Internacional de Erradicação da Violência contra a Mulher. O dia 6 de dezembro foi escolhido para que a morte daquelas mulheres (e o machismo que a gerou) não fosse esquecida.



Divulgue e participe: http://www.lacobranco.org.br/
 
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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sim, você pode

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Sim, você pode mudar.

E você pode começar a mudança procurando ser menos egoísta, bem como pode tentar compreender melhor o egoísmo dos outros... eles são seres humanos, afinal.

Você pode também procurar ser menos perfeccionista e menos exigente, e ao mesmo tempo realizar que as pessoas não são perfeitas, nem são de fato tão exigentes com você... na verdade, elas não estão nem aí.

Você pode tentar não se preocupar tanto com futuro, com saúde, segurança, felicidade, essas coisinhas pequenas da vida – isso seria muito bom para você e para as pessoas que se preocupam com seu futuro, sua saúde, sua segurança, sua felicidade...

Pode ainda evitar julgar as pessoas, procurar compreendê-las melhor, já que você, ao contrário do que imagina, não é julgado o tempo todo nem tão incompreendido assim... as pessoas não estão nem aí.

Pode também experimentar uma atitude mais prática, mais objetiva, mais pragmática, em vez dessa coisa sensível, contemplativa, romântica, melancólica... Mais livro-texto, menos poesia.

E pode ser menos autocomiserativo, menos ansioso, menos angustiado, menos impotente, essas bobagens todas que só te afligem porque você é humano... Você pode superar isso.

Você pode esperar menos dos outros, até porque você mesmo não oferece tanto assim – não oferece e tampouco os outros esperam que você ofereça... eles realmente não estão nem aí.

E, claro, você pode crescer também. Pode se esforçar pra ser menos bobo e mais sério, menos alegre e mais sisudo, menos inconsequente e mais responsável, menos frágil e mais duro, menos volúvel e mais firme... Menos criança, mais adulto.

Você pode parar de perder tempo com bobagens do tipo música, literatura, poesia, que assim te sobra mais tempo pra coisas mais importantes... como o trabalho, por exemplo.

Sim, você pode trabalhar mais, com mais afinco, mais ambição, mais disciplina... Assim se ganha mais dinheiro, assim se fica mais feliz.

Pode passar a dormir melhor, beber menos, parar de fumar... Assim se fica mais saudável, assim se vive mais.

Pode ser também um cidadão/cidadã mais respeitável, cumprir com maior rigor seus deveres, respeitar as regras com mais afinco. Assim se vive melhor.

Sim, você pode mudar e ser menos arrebatado, menos maravilhado, menos passional, menos apaixonado, e ser mais resistente, mais imparcial, mais frio, mais árido...

Você pode mudar, enfim, mudar para ser uma pessoa melhor... uma nova pessoa!

Só tem um problema: você precisa saber que essa nova pessoa será outra pessoa... que essa nova pessoa já não será mais você...

(e pra bom entendedor...)
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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

"arte" moderna

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damien hirst (+)


jan fabre (+)


jeff koons (+)


maurizio cattelan (+)

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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Chaves do Inferno

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Roberto Gómez Bolaños, apelidado, num exagero quase perdoável, de “Pequeno Shakespeare”, é o criador de uma das mais sutis, brilhantes e temíveis representações do inferno em qualquer das artes: o seriado “Chaves”

Roberto Gómez Bolaños

Ademir Luiz
Especial para o Jornal Opção

Sartre escreveu em sua famosa peça “Entre Quatro Paredes”, de 1945, que “o inferno são os outros”. Não existe uma definição universalmente aceita sobre o conceito de in­ferno na tradição teológica oci­dental. Segundo o historiador Jean Delumeau, no livro “Entrevistas Sobre o Fim dos Tempos”, o catolicismo tradicional, apoiando-se em Santo Agostinho, apregoava a “existência de um lugar de sofrimento eterno para aqueles que tiverem praticado um mal considerável nessa vida e dele jamais se tenha arrependido”. Essa noção, um tanto incongruente com a imagem de um Deus misericordioso, não prosperou fora do imaginário po­pular, sendo substituída pela so­lução do Purgatório, desenvolvida no século II, sobretudo, por Orígenas. Nin­guém mais estaria condenado para sempre, embora, excetuando-se os santos, todos tivessem que passar por um período variável de purificação, com a garantia da salvação ao final. Santo Irineu discordava. Para ele, “os pecadores confirmados, obstinados, se apartaram de Deus, também se apartaram da vida”. Portanto, após o julgamento final, os condenados seriam simplesmente apagados da existência.

A polêmica continuou pelos séculos dos séculos, com novos debatedores: Tomás de Aquino, Lutero, Joaquim de Fiore. Na literatura, Dante e Milton criaram visões poderosas do inferno. O trio de condenados de Sartre, os cenobitas sadosmasoquistas de Clive Barker e os pecadores amaldiçoados de Roberto Bolaños são recriações contemporâneas perturbadoras.

Sim, Roberto Bolaños. Não, não se trata do falecido ficcionista chileno Roberto Bolaño (1953–2003), autor do calhamaço “2666”. O Bolaños com S é um artista infinitamente superior. Refiro-me ao ator, escritor e diretor mexicano Roberto Gómez Bolaños, apelidado, num exagero quase perdoável, de Chespirito, ou “Pequeno Shakespeare” à mexicana. Ele é o criador de uma das mais sutis, brilhantes e temíveis representações do inferno em qualquer das artes: o seriado “Chaves”. Se, conforme ensinou Baudelaire, “a maior artimanha do demônio é convencer-nos de que ele não existe”, podemos concluir que esse mesmo demônio não iria apresentar seus domínios por meio de estereótipos: escuridão, chamas, tridentes, lava. Em “Chaves”, verdadeiramente, “o inferno são os outros”.

(...continue lendo no Jornal Opção)
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

The tree of life web project

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The Tree of Life Web Project é um esforço colaborativo entre biólogos e amantes da natureza de todo o mundo. Com mais de 10.000 páginas, o projeto fornece informações sobre a biodiversidade, as características dos diferentes grupos de organismos e sua história evolutiva (filogenia). Cada página contém informações sobre um determinado grupo – por exemplo: salamandras, vermes segmentados, angiospermas, tiranossauros, euglenas, borboletas, fungos, lulas vampiro... As páginas estão hierarquicamente relacionadas sob a tradicional forma da “árvore” evolucionária da vida. A partir de uma “raiz” fundamental partem os troncos e os ramos divergentes que percorrem os diversos grupos de seres vivos e atingem as espécies individuais, no extremo de cada ramificação. Desse modo, a estrutura do projeto procura ilustrar as ligações genéticas entre todos os organismos biológicos, viventes ou extintos.

Para ir ao site, clique na imagem acima; para o tutorial, acesse http://tolweb.org/tree/home.pages/abouttol.html
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Que mané cultura nacional que nada!

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Happy halloween!

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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Melhores alunos leem por prazer

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Estudo mostra que leitura sem obrigação é pré-condição para se tornar leitor efetivo. Desafio maior é despertar o interesse.

(da Gazeta do Povo)



A quantidade de tempo dedicado à leitura como lazer na infância e adolescência tende a formar leitores e implica em reflexos na vida adulta. Um estudo da Organização para a Coope­­ração e o Desenvolvimento Eco­­nômico (OCDE) aponta que os melhores leitores leem mais por estarem motivados a isso e, consequentemente, desenvolvem mais o vocabulário e a capacidade de compreensão. Na pesquisa, o Brasil aparece junto às nações com os menores índices de leitura entre alunos na faixa dos 15 anos.


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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Você conhece a sitatunga?

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A sitatunga (Tragelaphus spekei) é um antílope que mede de 90 cm a um metro de altura (na cernelha) e pesa cerca de 120 kg. De hábitos solitários, o bicho vive em regiões pantanosas, como o delta do rio Okavango, na República Democrática do Congo. São excelentes nadadoras e preferem áreas com densa vegetação. Seus principais predadores são os crocodilos... E os caçadores.

E o feneco, você conhece?..

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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Tributos a Steve Jobs

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Tributos comoventes e bem-humorados a Steve Jobs.



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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Bizu literário

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Livro de Stephen King tem morte de John Kennedy como núcleo


O escritor norte-americano Stephen King apresentará em novembro próximo seu mais recente romance, 11/22/63, uma história com o assassinato de John F. Kennedy como núcleo matriz e as viagens no tempo como outro assunto central.

Na história de mais de mil páginas, um professor, Jake Epping, viaja no tempo para conseguir evitar que Kennedy seja morto. Ele faz isso após seu amigo descobrir uma porta capaz de transportar as pessoas para o passado. Os problemas começam quando Jake se apaixona por uma mulher de 1963.

Qualquer livro com tais temas poderia tecer uma dessas histórias previsíveis, recorrentes, mas quando se trata de King, cujo talento é de outra natureza, como um cabo de alta tensão tendido subrepticiamente à beira do caminho.

Tanto que o livro mal tinha sido escrito pelo autor e o cineasta Jonathan Demme (O silêncio dos inocentes) adquiriu os direitos para o convertê-lo em um filme, cujo roteiro, produção e direção descansará em suas mãos.

Não satisfeito com a versão fílmica de The shinning (O iluminado), King voltou a ceder à eterna sedução do cinema - como antes o fez com Carrie e Louca Obsessão -, e deu seu aval a Demme.

(Artigo completo aqui)

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Inédito de Saramago nas livrarias este mês

(da tvi24)

Escritor nunca publicou romance que escreveu aos 31 anos.

Romance inédito de Saramago em formato digitalDeclarações de Saramago compiladas em livroSaramago e Lanzarote, um vulcão entre vulcões Claraboia, o romance que José Saramago acabou de escrever em 1953, aos 31 anos, e deixou inédito até ao fim da vida, chega às livrarias portuguesas a 17 de Outubro, numa edição da Caminho, e é "um romance interessantíssimo", disse o editor, citado pela Lusa.

Zeferino Coelho, editor e amigo de Saramago, falou um pouco da história e das personagens desta obra de juventude do prémio Nobel da Literatura português numa entrevista que deu à Lusa em Junho, pelo primeiro aniversário da morte do escritor, classificando Claraboia como "um bom romance", onde se encontram já esboços do que viriam a ser as suas obras seguintes.

"Tenho comigo o original e está completo. Ou seja, é possível publicar o livro sem qualquer interferência, não lhe falta nada, não lhe falta nenhum bocado. Trata-se de um romance e é um romance interessantíssimo. Eu já o li mais do que uma vez e lê-se muitíssimo bem. Tem um grande número de personagens, mas aquilo tudo [está] muito bem articulado, muito bem contado", disse à Lusa.

(Artigo completo aqui)

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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Crônica e Ovo

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Mas por que datar um poema? Os poetas que põem datas nos seus poemas
me lembram essas galinhas que carimbam os ovos...

(Quintana, Poema)

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Já me perguntaram se a diferença entre um conto e uma crônica é o tamanho, ou a complexidade, ou mesmo se a crônica não seria apenas um conto engraçado. A etiologia do termo o associa ao tempo (latim chronus), o que sugere um relato em ordem temporal, cuja narrativa se desenvolve segundo a ordem que a história se sucede no tempo. Tio Toninho, com propriedade, define assim o verbete:

6. Rubrica: literatura. Texto literário breve, em geral narrativo, de trama quase sempre pouco definida e motivos, na maior parte, extraídos do cotidiano imediato.
7. Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: literatura. Prosa ficcional, relato com personagens e circunstâncias alentadas, evoluindo com o tempo.
(Dicionário eletrônico Houaiss)

Entretanto, há definições (ou indefinições) mais saborosas. Esta que reproduzo a seguir, nascida da pena irônica e criativa de Luis Fernando Veríssimo, usa o dielma do ovo e da galinha para esclarecer definitivamente (..?) a questão. Saboreiem.

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Crônica e Ovo

A discussão sobre o que é, exatamente, crônica, é quase tão antiga quanto aquela sobre a genealogia da galinha. Se um texto é crônica, conto ou outra coisa interessa aos estudiosos de literatura, assim como se o que nasceu primeiro foi o ovo ou a galinha, interessa aos zoólogos, geneticistas, historiadores e (suponho) o galo, mas não deve preocupar nem o produtor nem o consumidor. Nem a mim nem a você.

Eu me coloco na posição da galinha. Sem piadas, por favor. Duvido que a galinha tenha uma teoria sobre o ovo, ou, na hora de botá-lo, qualquer tipo de hesitação filosófica. Se tivesse, provavelmente não botaria o ovo. É da sua natureza botar ovos, ela jamais se pergunta "Meu Deus, o que eu estou fazendo?" Da mesma forma o escritor diante do papel em branco (ou, hoje em dia, da tela limpa do computador) não pode ficar se policiando para só "botar textos que se enquadrem em alguma definição técnica de "crônica”.

Há uma diferença entre o cronista e a galinha, além das óbvias (a galinha é menor e mais nervosa). Por uma questão funcional, o ovo tem sempre o mesmo formato, coincidentemente oval. O cronista também precisa respeitar certas convenções e limites, mas está livre para produzir seus ovos em qualquer formato. Nesta coleção, existem textos que são contos, outros que são paródias, outros que são puros exercícios de estilo ou simples anedotas e até alguns que se submetem ao conceito acadêmico de crônica. Ao contrário da galinha, podemos decidir se o ovo do dia será listado, fosforescente ou quadrado.

Você, que é o consumidor do ovo e do texto, só tem que saboreá-lo e decidir se é bom ou ruim, não se é crônica ou não é. Os textos estão na mesa: fritos, estrelados, quentes, mexidos... Você só precisa de um bom apetite.

Luis Fernando Veríssimo

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(Prefácio de O nariz e outras crônicas, Para gostar de ler, volume 14)
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Religião

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Religião é aquilo que impede os pobres de matar os ricos.
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Os teólogos dizem: isso são mistérios insondáveis. Ao que respondemos: são absurdidades imaginadas por vós próprios. Começais por inventar o absurdo, depois fazei-nos dele a imposição como mistério divino, insondável e tanto mais profundo quando mais absurdo. É sempre o mesmo procedimento: credo quia absurdum [creio porque é absurdo].
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Deus é um ser mágico que veio do nada, criou o universo e tortura eternamente aqueles que não acreditam nele, pois os ama.

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(Publicadas originalmente no Barro do Sonho)
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sábado, 10 de setembro de 2011

Burjuasí

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"O que mais confunde as fronteiras da classe burguesa é o fato de que ela sempre se move cercada por uma nuvem de servidores, parasitas, beleguins, déclassés e burcratas diversos, membros do aparelho de estado ou não, além de inúmeros trabalhadores normais, mas devotos da relação salarial, todos indispensáveis ao bom funcionamento da dominação burguesa."

Vito Letizia, "Apreender Marx. Uma leitura crítica de Compreender Marx de Denis Collin" (Petrópolis, Vozes, 2008)
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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Dez argumentos imbatíveis contra o casamento gay

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1. Casamento gay é antinatural, e as pessoas de bem sempre rejeitaram coisas artificiais como novelas, óculos de sol e chiclete.

2. Legalizar casamento gay abre portas para todo tipo de comportamento bizarro; por exemplo, as pessoas podem querer casar com seus animais de estimação, já que um cão tem legitimidade legal para assinar contratos de casamento.

3. O casamento gay encoraja pessoas a serem gays, assim como a influência dos portadores de necessidades especiais faz de você um paraplégico.

4. O correto, natural e tradicional casamento hetero vem atravessando séculos sem sofrer mudanças: as mulheres ainda são propriedade, negros ainda não podem se casar com brancos, o divórcio ainda é ilegal.

5. O casamento hetero será menos importante se o casamento gay for permitido; por exemplo, a santidade do sagrado matrimônio entre Carola e Chiquinho, Britney e Jason, Fábio e Patrícia, Ronaldo e Daniella, Michael e Lisa Marie, Stephany e Alexandre seria destruída.

6. Casamento hetero gera filhos; casais gays, inférteis e pessoas velhas não devem casar porque nossos orfanatos não estão cheios o suficiente – o mundo precisa de mais crianças.

7. Pais gays criarão, obviamente, filhos gays, já que pais heterossexuais só criam filhos heterossexuais.

8. O casamento gay não é aprovado pela religião, e em uma teocracia como a nossa os valores de uma religião são impostos a todos e em todo o país - razão pela qual temos apenas uma religião no Brasil.

9. As crianças nunca serão bem sucedidas sem os modelos do macho e da fêmea dentro de casa; é por isso que nós, como sociedade, proibimos expressamente pais ou mães solteiras de criar seus filhos.

10. O casamento gay vai mudar a base da sociedade de tal modo que jamais nos adaptaríamos às novas normas sociais, assim como não nos adaptamos aos avanços científicos, à tecnologia, à democracia e ao aumento da expectativa de vida.

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Cartoons daqui e daqui.
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Enciclopédia da Vida 2.0

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Enciclopédia da Vida lança versão 2.0 com 700 mil páginas

Mais de 700 mil páginas com informações científicas vão integrar a versão online 2.0 da Enciclopédia da Vida, que amplia seu conteúdo gratuito na rede a partir desta terça-feira. A intenção, segundo o site 20 Minutos, é deixar a obra ao alcance de todos e assim conscientizar as pessoas sobre a conservação das espécies.

O projeto é patrocinado pelo Instituto Smithsonian, de Washington, e contou com a expertise de cientistas em 176 centros de pesquisa. "Este foi o maior esforço para reunir informações sobre todas as espécies em um único lugar", afirmou Erick Mata, diretor executivo da EOL (sigla em inglês), ao jornal espanhol - que classifica o acervo como uma "Wikipédia da vida animal e vegetal".

A versão 2.0 do projeto tem 20 vezes mais dados do que no primeiro lançamento, em 2008. E a intenção, segundo Mata, é que o site chegue a 1,9 milhão de páginas: uma para cada espécie conhecida pela ciência. O diretor executivo da Enciclopédia da Vida destaca que a nova edição da obra permite a troca de informações entre cidadãos, cientistas, pesquisadores e ecologistas, o que "dá ao público uma nova forma de aprender" e explorar "a complexidade dinâmica da biodiversidade".

A nova página tem uma coleção de imagens e vídeos com mais de 600 mil links, disponibilizados também gratuitamente. Mas o destaque da versão 2.0 da EOL, segundo Mata, é a possibilidade de criação de grupos de pesquisa colaborativos. "Se alguém no Equador ou na Costa Rica está interessado em observação de aves, pode criar uma comunidade e a ela podem unir-se pessoas com o mesmo interesse", explica. É possível, ainda, criar coleções de imagens e vídeos, e compartilhá-las com outros usuários.

A enciclopédia online também permite que sejam publicados estudos, que passam pela revisão de cientistas e recebem um selo informando a veracidade das informações. Dados não confirmados também aparecem no site, mas sem o selo. O material disponível inclui, por fim, 35 milhões de documentos digitalizados, entre os quais se destacam os 330 volumes da biblioteca de Charles Darwin, considerado o pai da teoria evolutiva.

Na nova versão, a Enciclopédia da Vida passa a estar disponível em outros dois idiomas, Espanhol e Árabe, além do inglês.

http://www.eol.org/

(com informações do Terra Notícias)
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quarta-feira, 15 de junho de 2011

"A Crítica, além da Razão"

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O Universo Heliocêntrico
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Na última postagem, breve análise sobre a transição do racionalismo para o empirismo e a consequente conversão do pensamento filosófico do teísmo mecanicista de Descartes para o ateísmo materialista dos empiristas. Neste post, a crítica kantiana traz um novo alento para a filosofia religiosa.

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A Crítica, além da Razão

Antes de se passar propriamente ao “pensar em deus” sob o ponto de vista crítico de Kant, seria interessante fazer uma breve análise da filosofia religiosa de Hume. Em primeiro lugar, o empirista escocês questiona a noção de causalidade. Segundo ele, a mera percepção de dois eventos não significa, necessariamente, que se possa perceber alguma “conexão” entre eles, por mais óbvia que tal conexão possa parecer aos sentidos. Em seguida, Hume procura refutar o argumento teleológico* para a existência de deus, reputando ao arrazoado uma casuística antropomórfica: o fato de o ser humano atribuir causas finais ao Universo – o “para quê” da existência – não significa que o Universo possua, de fato, uma causa final. A conclusão de Hume é categórica: a idéia de uma relação de causalidade entre as coisas “é uma mentira e uma ilusão”; que direito, portanto, terá o homem de pretender que “deus é a causa do mundo”?

De regresso a Kant, que funda e expressa o criticismo na sua melhor acepção naquele que foi um século de intensa atitude crítica – o século do Esclarecimento, também chamado Iluminismo –, percebe-se que ele, muito embora experimente forte influência de Hume, depara-se com um problema fundamental: seu predecessor destruíra o que até então se chamava Metafísica e, consequentemente, transformara toda a teologia num imenso castelo de cartas (lembremos que Kant era cristão devoto). Então, será possível que, após Hume, todo e qualquer conteúdo suprassensível – deus, liberdade, verdade... – se descubra absolutamente desprovido de sentido? Em vez de se escandalizar, Kant sustenta que não; e ainda sugere que, embora haja que se rever de fato o dogmatismo metafísico, há também que se preparar o pensamento futuro para uma metafísica que não se confunda com a Ciência.

Assim, Kant não se distancia apenas do racionalismo vigente, que tomava a metafísica como forma preponderante de conhecimento, mas distancia-se do próprio empirismo, que colocava em cheque a mesma metafísica. Quanto aos racionalistas, o criticismo identifica a fonte do seu erro: a própria razão, ou a razão pura. Quanto aos empiristas, se a experiência não deixa lugar para conceitos especulativos (os quais Kant chama de ideias), a própria especulação filosófica transgridiria o domínio da experiência. Vale ressaltar que o conceito kantiano de ideias, embora tomado de empréstimo ao ideal platônico, as reputa limitadas tão-somente à sua representação lógica na medida em que não assume a sua suposta existência enquanto coisas-em-si, mas apenas enquanto fenômenos tais como aparecem ao sujeito.

Embora não se afaste da condição a priori do conhecimento (que denomina de transcendental, diferente do conceito de transcendente dos racionalistas) Kant atribui ao pensamento crítico a faculdade de distinguí-la da condição a fortiori, a saber: ele busca um juízo sintético a priori que confirme a metafísica fazendo a distinção entre os chamados phaenomena e noumena, isto é, as coisas tais como aparecem ao sujeito (fenômenos) e tais como são nelas mesmas (coisas-em-si), estando o noumena além dos limites acessíveis à razão humana. O filósofo separa, portanto, o domínio do ser do domínio do pensar. Assim, a revolução kantiana não se limita à filosofia, mas alcança também a religião quando tomada nos limites da simples razão: o "pensar em deus" filosófica e racionalmente sob a inferência do criticismo.

Se, antes do criticismo, o dogmatismo metafísico já aceitava como pressuposto a ideia da existência de "realidades" acessível à razão – tais como deus, alma, mundo, matéria, forma ou substância – a “revolução copernicana” de Kant traz uma nova perspectiva para o tratamento desta questão. Por que “copernicana”? Porque se antes de Copérnico considerava-se um mundo (planeta Terra) em repouso em torno do qual girava o Sol, após Copérnico passou-se a considerar o Sol imóvel e a Terra móvel, a realizar o giro em torno da estrela. Assim como o Sol, a Razão também girava em torno do mundo, buscando iluminá-lo. Após Kant, a Razão se imobiliza e o mundo dos fenômenos é por ela iluminado conforme o raio de sua ação.

Os caminhos até Kant são sinuosos desde os antigos clássicos, patrísticos e escolásticos pretensiosos do equilíbrio fé-razão; atravessam tortuosos os domínios da razão pela razão e sob a fé de Descartes, Spinoza e Leibniz, e da razão sem fé de Voltaire e dos enciclopedistas. Passam igualmente sinuosos pelo fervoroso entusiasmo de Bacon e Hume pelo poder da ciência e da lógica hostis à religião,  bem como pelo combate ao materialismo e ao ateísmo iluministas, segundo o qual “se a razão é contra á fé, pior para a razão!”. Caminhos tortuosos e sinuosos, mas que apontam para uma confluência eficaz, ao menos sob o ponto de vista sistemático. Após A Crítica da Razão Pura, uma profunda remodelagem da teoria do conhecimento será produzida; após Kant, nenhum filósofo ocidental desprezará a conquista epistemológica e o instrumental conceitual do criticismo. Mas, após Kant, e por sua filosofia moral (vide o imperativo categórico) e religiosa (fé eclesiástica convertida em fé racional, religião nos limites da razão), o teísmo volta a se imiscuir no pensamento filosófico.

De imediato, novos pensadores de porte brotam, sobretudo do solo pátrio de Kant, dentre os quais aqueles que fundarão o chamado idealismo alemão pós-kantiano. Retoma-se a tentativa de conciliar razão e fé pelos sistemas filosóficos de Fichte, Schelling e, especialmente, de Hegel.


* O argumento teleológico, que remonta ao aristotelismo, baseia-se na ideia de uma finalidade para a multiplicidade de seres existentes e para o próprio universo, ou na causa final para a existência do universo.

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No próximo ensaio, o ideal de conciliação entre fé e religião pela via da dialética hegeliana.

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domingo, 12 de junho de 2011

"Deus e Razão: um primeiro divórcio"

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Frontispício da Encyclopédie de Diderot e D'Alembert
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O blog retoma a série de postagens sobre o conflito “fé-razão” no pensamento filosófico ocidental.

Na última postagem, após o obscuro milênio da Idade das Trevas, quando os pensadores cristãos tentaram, sem sucesso, conciliar razão e fé, os racionalistas ocupam o cenário filosófico europeu. Como veremos neste post, os empiristas os sucedem, e o longo e traumático divórcio entre filosofia e teísmo se insinua.

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Deus e Razão: um primeiro divórcio

Historicamente, o racionalismo cartesiano se fará acompanhar e se deixará suceder pelo racionalismo de Spinoza, um deísta, e de Leibniz, um teísta.

Baruch de Spinoza, de origem judaica, é excomungado em razão de suas teses pouco ortodoxas segundo as quais deus é o mecanismo imanente da natureza e do universo. Isto é, deus e natureza são uma única coisa, e a bíblia não é mais que uma obra metafórico-alegórica – o “livro sagrado” não pediria, portanto, leitura racional e não exibiria a verdade sobre esse deus natural.

Leibniz é o autor do famigerado argumento da contingência: tudo o que existe e é contingente carece de uma explicação; a explicação última não pode ser outro ser existente contingente; logo, há uma existência necessária que explica toda a existência contingente. Em outras palavras, na pergunta algo retórica do próprio filósofo, “Por que há algo, e não o nada?” (para uma resposta mais recente e racional a esta pergunta, sugiro Russel).

Além das correntes racionalistas mencionadas, o empirismo inglês dividirá o cenário filosófico seiscentista com o racionalismo francês, sobre o qual exercerá forte oposição, e o sucederá. Entre os expoentes desta escola está, na sua origem, Francis Bacon, e no seu apogeu, Hobbes, Locke, Berkeley e Hume entre outros.

Se o método cartesiano admite a dedução como fundamento – isto é, das experiências a priori constrói-se posteriormente o conhecimento – o empirismo vale-se do método indutivo, ou seja, da experiência sensível constrói-se o postulado (a posteriori portanto) para daí remontar aos princípios gerais que regem a certeza, ou a verdade, dos fenômenos. Por esta via, não obstante alguns dos empiristas ainda pugnarem pela essência das coisas sob o primado do dito “ser perfeito”, o cerne do pensamento empírico acaba por converter o teísmo mecanicista de Descartes em ateísmo materialista, porquanto defenda que a experiência sensível prescinda de qualquer ser ou entidade extramaterial.

Entre os empiristas teístas estão Thomas Hobbes, George Berkeley e Isaac Newton. Entre os ateus, David Hume merece atenção especial, senão pelo seu profundo ceticismo, também pela grande influência que exercerá sobre Immanuel Kant.

O empirismo inglês irá influenciar fortemente a filosofia dos séculos posteriores, desde o positivismo de Augusto Comte, na primeira metade do século XIX, ao pragmatismo americano no final do mesmo século, passando pelo utilitarismo de John Stuart Mill, que retoma o empirismo clássico em diversos trabalhos nos campos da lógica e da filosofia política. Todavia, a influência imediata e mais marcante se fará sentir pela obra de Hume, especialmente sobre o nascedouro pensamento crítico – ou criticismo – de Immanuel Kant e seus epígonos. “Hume despertou-me do meu sono dogmático”, escreverá Kant no prefácio dos Prolegômenos (Prolegômenos a toda metafísica futura que queria apresentar-se como ciência, é o sugestivo título da obra que sucede a Crítica da Razão Pura), quando se inaugura aquela que é considerada a mais influente escola filosófica da era moderna.

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Próxima postagem: “Crítico, além de racional”. O criticismo, marco da maturidade filosófica ocidental, revoluciona os sistemas de pensamento. A razão pura em cheque, a fé novamente em foco.
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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Haikais

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um risco, um raio e... zás!
clarão! depois do trovão
maior é a paz

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cada folha chora...
e encanta, o pranto da planta
se a chuva foi embora

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ah, semana insana!
reclamo e fico na cama
"cadê o meu Quintana?..."

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- ele, o azul e o fio -
nada mais haverá além deste
imenso vazio?...

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Trazidos do moribundo Barro do Sonho
Primeira imagem daqui
Segunda imagem do autor

Imprecisão

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as coisas são plurais
no singular de quem vê

para um,
um fim de tarde de um domingo chuvoso
é um fim de tarde de um domingo chuvoso

para outro,
é a materialização de todas as dores do mundo
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adaptado do moribundo Barro do Sonho

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Simbolismo. E um poema

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Simbolismo é o movimento artístico literário que marca o fim do Século XIX. Reage ao Parnasianismo e ao Realismo pela via da interpretação subjetiva do mundo, pelo uso dos símbolos e pela percepção transcendental da realidade.

(É, portanto, primo-irmão do Impressionismo)

Para o Simbolista, não importa a ‘tradução’ do real, mas a combinação subjetiva entre sentimento e pensamento, com o uso de figuras de linguagem e formas próprias, regidas por leis próprias - na intuição do artista está o verdadeiro valor da obra de arte.

(Ars gratia artis?)

Alphonsus de Guimarães e Cruz e Souza são expoentes do Simbolismo no Brasil; na França, berço do movimento, destacam-se Verlaine, Rimbaud e Mallarmé.

A sextilha a seguir procura manifestar, pobre e sinteticamente, o ensejo da criação simbolista, quando ao poeta apetece cometê-la.

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Inexprimivível


Me assopra o sopro deste signo simbólico
(é sinestésico, é místico, alegórico)
Que em mim se evola desde as brumas oitocentas
(são nebulosas, vaporosas, pardacentas...)
A inexpressar do sentimento algum contorno
Inexprimível, impresso em pensamento morno.

Marcello Cabral

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(do Barro do Sonho, em vias de extinção)