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terça-feira, 15 de maio de 2012

Evolução e seus equívocos (I)

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O crânio de um Dryopithecus, usualmente chamado de Proconsul,
de mais ou menos 20 milhões de anos: um dos candidatos
a "elo perdido" entre o ser humano, o chimpanzé e o gorila.
O grande equívoco sobre a Evolução Humana

A Teoria da Evolução concebida originalmente por Charles Darwin e Alfred Russel Wallace (1) suscita muitas paixões, tanto entre seus defensores quanto entre os desafetos. Como qualquer apaixonado, cada lado eventualmente incorre em erros. Por exemplo: a assertiva a seguir já foi escrita, dita e repetida à exaustão, mas é surpreendente como ainda há tantos que não a compreendem – alguns por falta de elementos conceituais; outros, quem sabe, por má vontade.

Mas, vamos lá, não custa reforçar:

O homem NÃO evoluiu do macaco e Darwin JAMAIS afirmou isso.

Na infundada hipótese de uma evolução que convertesse chimpanzés, gorilas ou orangotangos em seres humanos, seria lógico assumir que ainda hoje haveria macacos se transformando em pessoas. Chimpanzés, gorilas e orangotangos ainda existem, e não há base teórica para negar que as forças supostamente responsáveis por sua conversão em humanos no passado ainda poderiam atuar. Portanto, se esse equívoco com ares de sofisma fosse correto, esbarraríamos por aí, ainda hoje, em uma série de categorias intermediárias de “homens-macaco” – e o evolucionista sabe muito bem disso para não defender tal aberração.

À luz da Teoria da Evolução, a hipótese mais aceita (2) admite que tanto a espécie humana quanto seus parentes primatas descenderam de um ancestral comum depois de um processo evolutivo que se cumpriu há alguns milhões de anos – e que, possivelmente, ainda esteja a atuar. Em determinado “momento evolutivo” (que pode abarcar milênios) da sua história natural, dentro de condições ambientais peculiares (mudanças climáticas, competição, disponibilidade de recursos, migrações etc.) combinadas com eventos biomoleculares também peculiares (mutações e recombinações gênicas), um ou alguns indivíduos da espécie ancestral sofreram modificações e originaram outras espécies – sujeitas, por sua vez, ao mesmo processo, e assim ad finem. Eis o fenômeno ao qual damos o nome de Seleção Natural, e uma das suas decorrências é a Adaptação – a consequência alternativa é a extinção.

Quanto ao aspecto daquele ancestral – que muitos fantasiam como o de um chimpanzé – é até razoável assumir que pudesse ser mais parecido com um macaco moderno que com o ser humano, uma inferência lógica feita a partir da maior complexidade das características humanas com relação aos demais primatas. Todavia, esse ancestral provavelmente era tão diferente de qualquer macaco moderno quanto eles são, atualmente, diferentes entre si. Para um gibão, um gorila é um bicho tão diferente dele quanto o orangotango é para o sagui. E, a despeito da similaridade genética, tanto quanto o chimpanzé nos parece diferente de nós mesmos.

Uma das genealogias propostas para a Superfamilia Hominoidea:
1 – homo sapiens, 2 – chimpanzés, 3 – gorilas, 4 – orangotangos,
5 – gibões, 6 – gigantopitecus, 7 – driopitecus, 8 – keniapitecus.
Enfim, nós humanos não procedemos de nenhum desses animais – que, aliás, não existiam naquele passado remoto. Nós apenas partilhamos o mesmo ancestral, também único como espécie, que viveu há muitos e muitos milhões de anos e desapareceu, porque se modificou (a alternativa, como já disse, seria a extinção). Mas não sem antes deixar o testemunho de sua existência sob a forma de vestígios que podem e devem ser analisados com isenção pela prática da boa e velha Ciência.

Por Marcello Cabral
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(1) Em geral pouco divulgada, a colaboração de Wallace foi fundamental tanto para a concepção quanto para a consolidação da teoria evolutiva exposta por Darwin no seu A Origem das Espécies. Não seria exagero afirmar que sem tal colaboração não teríamos o legado darwiniano.

(2) Hipótese fundamentada em achados fósseis e evidências biomoleculares que, dado o caráter não acadêmico deste ensaio, seria desnecessário detalhar.

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Nota:

O uso da expressão “maior complexidade das características humanas” em vez de “características mais evoluídas” não é por acaso, tampouco é mera pretensão retórica. É uma confusão muito comum se falar em espécie “mais evoluída” que outra, ao passo que elas são apenas diferentes – não obstante a maior ou menor complexidade de determinadas características. Por exemplo, se fosse correto afirmar que “o macaco não é tão evoluído quanto nós por não ter cérebro desenvolvido” seria também correto dizer “que não somos tão evoluídos quanto os elefantes porque não temos tromba”... Mas este é um assunto para a próxima postagem.

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