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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ampliando a discussão: o ácido fólico na prevenção da anencefalia

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O aborto de fetos anencéfalos agora é mais acertadamente conhecido como interrupção terapêutica da gravidez  – não é mais crime, nos distanciamos um pouco mais da Idade Média. Espera-se, agora, que a sociedade e o Poder Público não se furtem a manter a discussão do tema “aborto” na ordem do dia. Há muito ainda que progredir.

Mas passemos ao tema central desta postagem. Além da discussão jurídica, cabe destacar um aspecto que, embora relevante, não recebeu nos últimos dias muita atenção: a prevenção da anencefalia. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a ocorrência da malformação no Brasil é de um para cada 1.600 nascimentos, predominantemente no sexo feminino (1). Sua manifestação se deve a uma falha no processo embrionário durante a formação do tubo neural e há algumas causas prováveis identificadas pela medicina, cujo grau de importância é variável. É seguro dizer que uma das causas principais é a ocorrência de falhas no metabolismo do ácido fólico (2). Quanto às demais causas, o blog – que não é especializado – se preserva de comentá-las devido a eventuais e possíveis más interpretações (para  informações adicionais consulte os links de referência no fim da página).

A prevenção – ou, melhor dizendo, a diminuição do risco – portanto, consistiria na administração de ácido fóllico durante determinado período da gestação. Há estudos que sugerem que a administração de 400 microgramas de ácido fólico durante o desenvolvimento embrionário-fetal reduz em até 70% a incidência de DTNs (3, 4) – sigla para defeitos de fechamento do tubo neural, grupo de malformações cuja anencefalia é a forma mais grave. Desde 2002, por exigência do Ministério da Saúde, as farinhas de trigo e milho produzidas no Brasil devem ser enriquecidas com ácido fólico e ferro (4). Resta saber, contudo, se os fabricantes vêm cumprindo tal determinação, bem como se os órgãos de fiscalizando estão atentos a ela. Seguimos confiando?


Há também os grupos de alimentos que são boas fontes de ácido fólico (ou folato, uma outra forma da substância), com destaque para o amendoim - 240 mcg, o espinafre - 146 mcg, o brócolis - 108 mcg e a castanha de caju - 69 mcg (por 100 g de alimento; fonte: Tabela de Composição Química dos Alimentos da UNIFESP). Porém, ainda que a literatura especializada indique a rica composição nutricional dos alimentos em questão, há outros elementos a observar, como a biodisponibilidade, a taxa de absorção, a interação nutricional, a suscetibilidade de cada paciente etc. De qualquer modo, a suplementação de ácido fólico, bem como a de outros nutrientes (ferro, por exemplo), é recomendada durante a gravidez. E, claro, é imperativo o acompanhamento pré-natal especializado, médico e nutricional.

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Referências:

(1) http://jus.com.br/revista/texto/19826/interrupcao-da-gestacao-do-feto-anencefalo-aborto-ou-antecipacao-terapeutica-do-parto/2

(2) http://pt.wikipedia.org/wiki/Anencefalia

(3) http://www.ghente.org/entrevistas/oqueeanencefalia.htm

(4) http://www.anvisa.gov.br/divulga/informes/2002/120602.htm

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