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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Saiba o que NÃO acontecerá em 2012

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E agora, alguns não eventos.

John Grimond (*) pondera sobre coisas importantes que não acontecerão em 2012

Coisas acontecem, como Donald Rumsfeld comentou certa vez, mas ele estava apenas parcialmente certo: às vezes coisas não acontecem. Não faça pouco caso disso. Muitos não-eventos são significativos. No curioso incidente do cão durante a noite, por exemplo, o fato importante para Sherlock Holmes foi que o cão não latiu. Então, em princípio, para continuar na linha rumsfeldiana, presciência de coisas que não vão acontecer pode ser tão útil quanto saber as coisas que vão acontecer. E apesar de alguns não-eventos inevitavelmente permanecerem desconhecidos, outros são conhecidos, e no ano que vem haverá muitos deles.

Vários derivarão de um dos grandes eventos conhecidos de 2012, a eleição presidencial americana. Que isso ocorrerá, conforme estipulado pelo Congresso em 1845, na primeira terça-feira após a primeira segunda-feira de novembro de cada ano divisível por quatro, não há dúvida, o que já é notável, pois não há uma certeza equivalente com relação a acontecimentos políticos em outros países. No entanto, a eleição presidencial americana traz não-eventos consigo. Seguindo o exemplo de outros concorrentes à reeleição antes dele, Barack Obama não lançará qualquer política controversa em 2012. Qualquer esperança de tais iniciativas – um plano de paz para o Oriente Médio potencialmente ofensivo para os eleitores judeus, uma suspensão do embargo a Cuba ou o reconhecimento do regime de Castro, a abolição dos subsídios aos produtores americanos de algodão e de açúcar, políticas que afetem o comportamento dos eleitores no sentido de combater mudanças climáticas, leis mais rigorosas sobre armas ou mais brandas sobre drogas – deve se preparar para a decepção. A perspectiva mais feliz é saber que os Estados Unidos não começarão nenhuma guerra discricionária, como foi a do Iraque.

Haverá não-eventos em outros lugares também. O Poder Legislativo de alguns estados americanos normalmente só se reúne em anos ímpares. Isso significa que as pessoas de Montana, Nevada, Dakota do Norte e Texas não terão que enfrentar novas leis e orçamentos. Uma eleição parlamentar de surpresa pode ocorrer em quase qualquer democracia, mas não haverá nenhuma na Noruega ou na Suíça, onde uma dissolução é virtualmente quase impossível. Cidadãos da União Europeia também serão poupados de eleições para o parlamento, pois elas são estritamente realizadas de acordo com um ciclo quinquenal.

Nenhum recrutamento acontecerá na Alemanha (as forças armadas serão agora compostas apenas por voluntários). Não haverá touradas na grande Plaza de Toros Monumental de Barcelona (estão proibidas na Catalunha). Nenhum prêmio Man Booker International será concedido (anos ímpares, apenas). Nenhuma mulher com mais de 40 divertirá o público no show Tauranga Tarnished Frocks & Divas na Nova Zelândia (só em 2013).

Os amantes de carros também terão que esperar o Salão do Automóvel de Frankfurt (como consolação, eles podem se deleitar com os veículos comerciais em Hanover). Os aficionados da aviação terão que renunciar ao Paris Air Show (volta para Le Bourget em 2013). Em vão os amantes de arte viajarão para Veneza para a Biennale (que é bienal). E os fãs das raves serão privados do festival de música de Glastonbury (todos os banheiros químicos serão necessários para os Jogos Olímpicos de Londres).

Não é o fim do mundo

Se, talvez improvavelmente, você for uma fêmea de albatroz-errante, de águia-coroada, de urso-preto ou de tartaruga-nariz de porco, espécies que se reproduzem a cada dois anos, você pode dar sorte e ficar de fora da estação de acasalamento este ano. E se você é uma fêmea de salamandra-viscosa do norte sem essa mesma sorte, você pode ir para o sul, onde uma espécie semelhante põe ovos também a cada dois anos.

Pelo menos um não-evento é certo. Alguns pseudoeruditos, mal interpretando as evidências, acreditam que 21 de dezembro de 2012, o último dia de um ciclo de 5.125 anos do calendário Maya, será o fim do mundo. Poeticamente, esta publicação já satisfez sua previsão na página de obituários. Mas eles estão enganados, assim como os maníacos religiosos que preveem o armagedom para os próximos meses. Tão confiante está o mundo em 2012, que este é um não-evento que, se estivermos errados, devolveremos o seu dinheiro.

(*) John Grimond, editor especial de The Economist

Da edição impressa O Mundo em 2012

(link para o artigo)
(tradução minha)

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