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terça-feira, 17 de maio de 2011

Do Barro para o Diabo

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Decidi desativar meu outro blog.
Vou trazendo pra cá, aos poucos, o que tem lá de mais relevante (ou menos irrelevante).
Por ora, este poeminha metido a besta.

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Do pó ao pó


Nasci do pó fragmentado do Universo,
Sou hausto fraco, um respirar, sopro disperso
Na multidão dos singulares elementos;
Sou cisco atávico: pretérito-presente,
Mínima mônada inextensa e consciente
Da limitada inextensão do pensamento

Eu sou genético, biofísico, etológico,
Arrebatado, pelo espírito anagógico,
Da natureza que destrói o que gerou...
Descenso hálito de um canto volitivo:
O canto triste desse pássaro cativo
Encarcerado na gaiola do que eu sou


Qual filopluma bafejada pelo vento
Sobre um infinito oceano, eu me acalento
Na brevidade da existência temporal,
Se como a efêmera a voar por sobre as águas
Que servirá de refeição para as omáguas
Serei eu mesmo o alimento exicial...

E o pulso atômico conduz-me em marcação
Ao cadafalso inelutável da extinção,
Retesa a corda que produz a liberdade
Dos carboníferos grilhões moleculares...
Agora eu sou, a transitar por estes ares,
Como a estática do ar pré-tempestade
(Marcello Cabral)
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2 comentários:

Pentacúspide disse...

bem que Lavoiser tinha razão!

Marcello disse...

...Tudo se copia, hehe.