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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Censo 2010 - Casais congêneres, por (tímida) amostragem

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Trago da Revista Entremundos um dado e uma análise muito interessantes e da mais alta relevância. O blog os reproduz (e se o faz, é porque tem algo a dizer a respeito) com a premissa de que não haveria razões para que a sua reprodução não fosse autorizada pelo editor da revista, Gabriel Mallet Meissner.

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Há pelo menos 60.000 casais homossexuais no Brasil, segundo números oficiais do Censo 2010


No Censo 2010 parou-se de tapar o sol com a peneira e, pela primeira vez, passou-se a se estimar o número de uniões homossexuais no Brasil. Até então, o Censo simplesmente desconsiderava a possibilidade de existirem casais homossexuais e eles não entravam nas estatísticas. Agora eles passam a “existir” em números oficiais do governo. Um grande avanço, sem a menor dúvida, pois este é um dado útil na formulação políticas públicas que visem garantir os direitos de homossexuais na Brasil. Segundo reportagem da Veja, 60.002 brasileiros declararam ter um cônjuge do mesmo sexo, seja este reconhecido ou não pela justiça como tal.

Claro que este número ainda não pode ser considerado confiável. É apenas um indicativo. A quantidade de casais homossexuais provavelmente é bem maior do que este, pois muita gente que responde à pesquisa do Censo – por medo do preconceito – não dá a resposta correta. Este fenômeno é conhecido. O mesmo acontece há décadas com as religiões afro-brasileiras: muitos umbandistas e candomblecistas declaram-se espíritas ou católicos no Censo, devido ao preconceito.

De todo modo, mesmo ainda pouco confiável, a estatística é importante. Há, no mínimo, 60.002 casais homossexuais no Brasil. Este número não pode ser desprezado. São cidadãos que merecem ter seus direitos respeitados como qualquer outro brasileiro. O que não acontece atualmente, haja visto não apenas a grande quantidade de agressões homofóbicas que temos visto noticiadas na mídia e os 78 direitos civis negados a GLTBs. Agora pode-se começar a dimensionar, por exemplo, o universo de casais homossexuais a quem são negados o direito fundamental ao casamento civil.

Sempre que se discute projetos como o Kit Contra a Homofobia e o PL 122/06, surge uma multidão de críticos afirmando que estes projetos são irrelevantes. Agora pode-se dizer, por exemplo, que apenas no Sudeste, tais projetos são relevantes a 32.202 casais, ou 64.404 cidadãos brasileiros (isso, sem contar o resto do país). Como é que projetos que impactam na vida de uma população deste montante não é relevante?

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Análise do blog:

Como se lê no artigo, 60 mil brasileiros declaram ter um côjuge do mesmo sexo. Ou seja, grosso modo, podemos depurar que 30 mil casais se declaram homoafetivos de fato (a se assumir que cada parceiro de cada casal assim se declarou). 60 mil ou 30 mil, de qualquer modo, são números insignificantes se confrontados com os cerca de 200 milhões de habitantes que o Censo 2010 apurou. Mas a questão premente, estatística a parte, é: por que esses números não são maiores?... Ora, a princípio, precisamente pelo que o próprio autor do artigo detecta quando escreve: "pois muita gente que responde à pesquisa do Censo – por medo do preconceito – não dá a resposta correta". Mas no fim das contas, o que queremos todos (a Entremundos e este blog) dizer é que, certamente, há, com efeito, um número muito maior de uniões homoafetivas do que essas que os números oficiais revelam; número, aliás, que podería ser ainda muito mais expressivo se não houvesse há décadas - ou séculos - essa cultura do preconceito, do medo e da moral religiosa-conservadora que ainda permeia a sociedade (inclua-se aí, se não houvesse, há tempos, a desídia do Estado com relação a esse tema).

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Um comentário:

Anônimo disse...

Não é relevante pelo fato da Sodomia ser uma prática satânica, e onde uma série de crianças e jovens heterosexuais serão bombardeados pelos apelos homosexuais, e sabe-se que de acordo com os mandamentos do satanismo existe já um apré disposição de encucar esse tipo de praticas o mai scedo possível, no inconsciente dos jovens.
Só por isso;