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sábado, 19 de março de 2011

Uma hierarquia do medo

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o medo, produto e parceiro da existência; o medo, aliado e adversário...

o medo ilógico da morte (porque tudo o que vive, morrerá)

o medo (este sim, razoável) da extinção, de abandonar e ser abandonado pela vida

medo da perda, da dor da perda... pior, medo de perder e não saber que perdeu

medo do estado vegetativo, da impossibilidade de manifestar o desejo de morrer

medo da cegueira, da loucura, da mutilação, da paralisia, da doença degenerativa e incurável

medo da lâmina fria da arma branca atravessando a carne quente; ou do projétil da arma de fogo cauterizando vasos, rasgando músculos, esfarelando ossos, estraçalhando órgãos

medo da velhice, com ela a decrepitude, a senilidade, o desgoverno dos esfíncteres e da razão

medo de a pessoa amada desaparecer levada pelo arroubo impetuoso de uma paixão nova

medo da indiferença, da inadequação, da aversão

medo da solidão, no mundo e em nós

medo de ser banal, desimportante, olvidável

medo de que te descubram, medo de se revelar

medo do acaso, que pode se abater par hasard em qualquer exato segundo

medo da sorte adversa, irmã do acaso, com seu exército de provações, aflições, misérias

medo do caos, econômico, político ou social, conduzido à porta pela guerra, pelo desastre, pela peste

medo da pobreza, da miséria, da mendicância

medo do cativeiro, da impotência, da insegurança

o medo do desconhecido,
o medo do homem,
o medo do medo...

mas, todos medos estéreis... se no final, resta uma sepultura.

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gif daqui

6 comentários:

Mariê disse...

Medo mesmo eu fiquei foi desse olho esbugalhado aí...


Vais disse...

Ei, Marcelo,
tô com a Mariê, ehehe
rapaz, que olho mais doido

medo é uma merda, às vezes fico viajando nesta evolução do ser humano, e fico pensando que o medo tem muito a ver, quer dizer, quando el@s se sentiram mais protegidos, o cérebro (o corpo), até então embotado pelo medo, pôde se dedicar a outras coisas.
Mas a frase final fecha :)e pra falar verdade tem hora que acho tudo é uma doideira só

Elis e Tim, maravilha!

beijo procê (s)

Marcello disse...

Mariê,

Estou com a impressão de que o gif do olho fez mais sucesso que o próprio texto...
(hehe, como diz alguém: "tô de zoa")

bj♥

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Oi Vais, gostaste do olhinho também, né? Ahah!

Quanto a essa coisa de medo (especialmente da morte), a gente sente porque pensa. Uma espécie de efeito colateral.
Final das contas, eu ainda acho que vale muito a pena... viver, com ou sem medo.

Baita abraço

Loba disse...

este olho é terrível.
eu grifo medo do medo. é o por de todos. paralisa. ter medo tem que ser saudável, já que o medo é o precursor da coragem.
e no final resta a vida. é outra opção, né?

Loba disse...

eu vim do Barro do Sonho. e já estive aqui, acho. mas vim pela Vais e por um monte de gente interessante que de alguma forma aponta pra cá.
bom te (re)conhecer!

Marcello disse...

Ei Loba, concordo, medo a gente pode ter, mas medo de ter medo... Se tiver, fazer o quê, então.

Ó, você tá em casa. Bem-vinda e volta quando quiser.
Abraço