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domingo, 27 de março de 2011

Sobre a alteridade

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cada um é um universo
o outro é o outro
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tentar se ver no outro?...
pelo outro?...
...
um age de certa forma
o outro também
...
o impulso
o motivo
as razões...
...
as razões de cada um (sob a própria tortura)
são as próprias razões...
...
e quem julgará as razões do outro?...
...
razões orbitam um ‘eu’
cuja dor de ser só cada ‘eu’ compreende
...
ademais
‘eu’ e o outro?...
ambos padecemos da mesma
e crônica
e específica
covardia...
...
não se ousa ser
tampouco se ousa vir-a-ser
...
vir-a-ser que nunca se completa
porque se contenta com o estando
porque se disfarça no representando
persona que segue a devorar
a pretensão do ser...
enquanto a casca se banqueteia
na mesma e confortável mesa...
da convenção
...
o outro continua sendo o outro
com as próprias contingências
com as próprias escolhas
decisões...
para se adaptar ao mundo
ou para adaptar o mundo ao seu projeto
que ora tangencia
que ora cruza
que ora se confunde com o projeto
do outro...
...
o conflito é inevitável
...
não, não se trata de solipsismo
tampouco egoísmo
querer se entender em si não pressupõe ignorar o outro
que importa muito
(se na alteridade o EU se reconhece)
é decisão-renúncia-ação
...
e o outro,
que por si só não acessa a própria essência
mas que tem a sua própria porção de ‘eu’
decidindo-renunciando-agindo
(que é diferente da desejar, sonhar, querer...)
reluta
tergiversa
...
eis o embate
eis o sofrimento...
...
ama-se o outro
(e amar aqui não é vazio,
amar aqui é atitude
é desejo...)
mas o que se quer de verdade
no agora-agora...
..0
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